Lendo esse post no Mulher Alternativa, lembrei de um dia no almoço, quando uma amiga lançou a seguinte “na minha juventude, tomar pilula significava não ter autonomia”.

A pilula abriu muitos caminhos para a liberdade e autonomia das mulheres no campo da sexualidade, ao separar maternidade de sexualidade. Mas um tempão já passou desde que o uso da pilula se massificou, e as pessoas continuam engravidando sem querer, e as DST estão aí bombando.

Eu nunca tomei pilula. Só uma vez a do dia seguinte =/ Talvez porque quando namorei já estava conhecendo o feminismo, pensando sempre em que medida as coisas que eu fazia significavam ou não mais autonomia e liberdade. E aí, além dos efeitos colaterais, o que realmente me fez e faz não tomar pilula é que a responsabilidade com a prevenção da gravidez não tem que ser só minha. Lembrar todo dia de tomar pilula é muita disciplina. E se eu esquecer e der merda, a culpa vai ser minha. Tomar pilula significa flexibilizar mais o uso da camisinha. E, se eu acho que tem que usar camisinha sempre, pra que abrir essa brecha?

Nos debates sobre o direito ao aborto sempre aparece o tema da prevenção. Quando rola uma gravidez indesejada, a responsabilidade com a prevenção que deveria ser das duas pessoas envolvidas na relação, vira responsabilidade da mulher, que tem que arcar com a consequencia de uma forma gigantescamente maior que o homem.

O uso da camisinha implica negociação, sempre. E, entre homens e mulheres, são estabelecidas relações de poder e de desigualdade, que se manifestam aí também. Em um casal de longa data, frequentemente se apela para uma suposta confiança que a mulher deveria ter sobre o marido. O número de mulheres casadas que contrai o HIV mostra que não deveriam mesmo confiar.

Nenhum método é 100% seguro, mas a camisinha é o melhor método para prevenir doenças sexualmente transmissíveis e evitar gravidez indesejada.

Mas acho que de todos os meus amigos com quem esse assunto já apareceu, me lembro de um que afirmou (e eu acreditei) que sempre usa. Os outros são uma vergonha, e olha que a maioria é de esquerda e considera o feminismo massa. As meninas usam mais, mas quase todas nós já deixamos rolar sem.

E, quando um homem e uma mulher transam sem camisinha, o que acontece? Eles as vezes se arrependem, e boa. A gente, quando não usa, fica noiada.

Usar camisinha tem a ver com a nossa autonomia e a nossa liberdade, e com o direito de viver livremente nossa sexualidade com prazer e sem nóia. Com camisinha, a gente pode transar e ficar tranquila, sem nóia com menstruação atrasada, sem precisar tomar pilula do dia seguinte e sem ter a surpresa mais desagradavel de descobrir que aquele dia tão legal (ou aquele dia que nem foi tão legal assim) virou uma gravidez indesejada.

Usar camisinha demonstra respeito pela pessoa com quem você está, e no caso dos que dizem ter compromisso com um mundo libertário e com igualdade, demonstra um mínimo de coerência. O privado é político!

Na cama: Camisinha neles!!

Nas ruas: Dia 28 tem manifestação pela legalização do aborto, as 16h, na Praça do Patriarca!

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