Festas, manifestações e liberdades

Este post é parte da blogagem coletiva convocada pelas Blogueiras Feministas para o dia do Orgulho LGBT.

Tem tanta coisa pra falar sobre o assunto, que eu não sei nem por onde começar.

Mas acho que o ponto de partida de um post feminista neste dia é a nossa defesa incondicional da liberdade que mulheres e homens devem ter pra viver e expressar sua sexualidade. Nessa sociedade machista, a nossa sexualidade é sempre vista como se não fosse nossa, e sim de outros. Ou seja, a sexualidade das mulheres é construída em função do desejo do outro. E muitas vezes a gente nem sabe onde encontrar nosso próprio desejo. As revistas femininas ensinam como levar um homem (e nunca outra mulher) a loucura. E ainda “esquecem” de dizer e reforçar que nós também temos esse direito.

Faz parte da defesa feminista de liberdade, há muito tempo, o questionamento à heterossexualidade obrigatória e o direito de viver de forma livre e autônoma nossa sexualidade.

Na semana passada, pelo menos 3 eventos contribuíram pra construção desta liberdade em São Paulo (e eu não preciso nem mencionar o domingo).

22/06: Préparada – a festa nas Ciências Sociais da USP

O CEUPES é o Centro Acadêmico do curso de ciências sociais da USP, onde eu e uma galera começamos a militância. Dentro da USP, que já foi cenário de manifestações homo/lesbofóbicas, uma galera, incluindo atuais diretor@s do CEUPES, fez a segunda edição desta festa que visibiliza e celebra a liberdade de amar. Dêem uma olhada no vídeo de divulgação da balada =)

Fiquei emocionada e orgulhosa de ver a atuação prática e colorida da galera que tá no CEUPES hoje. No armário da entidade, os adesivos mostram a história das lutas que já passaram por lá. Em cima da mesa, um símbolo – para que ninguém possa ignorar – de que as mulheres são iguais aos homens. Solidariedade é um dos componentes fundamentais da luta feminista e LGBT.

24/06 – Festa Valentina

Essa festa “de meninas” é uma balada que afirma o direito das mulheres a ficar com outras mulheres. E toca música boa. Vão uns meninos também, mas lá eles sabem que não tem o direito de ficar apurrinhando ninguém. E deveriam saber que não tem esse direito em balada/trabalho/ônibus/rua/casa nenhuma.

Uma das festas mais legais de São Paulo.

25/06 – 9ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo

Mais de 3 mil pessoas participaram desta manifestação que afirma a liberdade das mulheres lésbicas e bissexuais. A caminhada surgiu da avaliação das lésbicas de que era necessário dar mais visibilidade às lésbicas e bissexuais do que estavam encontrando na Parada Gay. A Caminhada se identifica explicitamente com o feminismo, e reúne cada vez mais gente que luta pela liberdade.

A Marcha Mundial das Mulheres comparece todos os anos, com suas militantes e a batucada da Fuzarca Feminista, que neste ano escreveu um texto bonzão que explica por que estamos em marcha.

Foto de Terezinha Vicente

Um passo, em busca do nosso espaço

Quando eu era pequena minha irmã mais velha falava que queria ser astronauta.

Se ela soubesse do que estava acontecendo nesse momento, há 48 anos atrás, talvez dissesse que queria ser cosmonauta =)

Entre os vários fatos e feitos que marcaram a corrida espacial, tem um que não é muito lembrado: a primeira viagem de uma mulher ao espaço.

Talvez o fato não seja tão lembrado porque outro ser humano já tinha ido ao espaço (e voces vão pirar com a reconstituição dessa primeira viagem aqui ). Ou também porque normalmente não interessa pra quem conta a história recuperar fatos tão importantes para as mulheres.

Valentina Tereshkova foi a primeira mulher a ir pro espaço, deu 48 voltas na terra e voltou. O dia do lançamento tá retratado nesse vídeo aí embaixo.

Reparem na expressão dela. É muita coragem e auto-controle, né não?

Essa viagem marca não só a corrida espacial mencionada aí em cima, mas a conquista do nosso espaço aqui na Terra. Por nosso, tô me referindo a nós, mulheres.

Na política, na aviação, no rock, na economia, na engenharia, na ciencia.
Em todo e qualquer espaço que aprendemos ser dos / para os homens, mulheres provaram e provam, na prática, que, se são espaços só dos homens, não é por alguma diferença biológica nossa, mas porque de alguma forma nós fomos socialmente excluídas desses espaços. Em muitos casos, fomos excluídas inclusive de desejar ocupar determinado espaço ou desenvolver alguma habilidade. Quando desejamos, muitas vezes não realizamos porque tem outras ocupações que nos são atribuídas como responsabilidades.

La lucha por el cielo y, por tanto, contra el peso, parecía, ante todo, una ofensiva contra los prejuicios tan tenaces que unos imbéciles con bigote creyeron útiles para alejarlas de los campos de aviación y enviarlas a los trabajos domésticos.

Essa citação foi retirada de um livro lindo Ellas Conquistaron el Cielo, que traz fotos e histórias fantásticas de 100 mulheres que foram pioneiras de alguma forma na “conquista do céu”. Aviadoras, paraquedistas, cosmonautas. As opções destas mulheres na vida pessoal muitas vezes romperam com o que era esperado delas – e das mulheres em geral em cada momento histórico.

Uma das histórias do livro é a da Valentina Tereshkova.
Foi uma decisão dos russos mandar uma mulher pro espaço, como mais um marco na corrida espacial. A curiosidade é que os EUA também tiveram essa ideia. Mas as mulheres selecionadas pelo programa espacial da NASA não puderam concluir o processo, porque no lugar em que se fazia o treinamento, era proibida a entrada de mulheres. Juro. Tem coisas na história que a História oficial apaga de tão constrangedor, né??

Mas aí a Tereshkova, uma jovem operária russa, militante da juventude comunista e paraquedista, foi para o espaço. Foram 48 voltas na terra, durante 70 horas e 41 minutos, entre 16 e 19 de junho de 1963.

Houve muita propaganda em torno desta viagem, a Tereshkova foi por algum tempo um símbolo da igualdade entre os sexos na ex-URSS.

Mas os avanços das mulheres não são nem lineares, nem acontecem sem enfrentar reações. No caso, alguns integrantes da missão que enviou a Tereshkova pro espaço – que não faziam a mínima questão de que mais mulheres ocupassem mais espaço nessa área – ficaram desqualificando ela, dizendo que não foi uma missão exemplar, que ela passou mal, e tal. Alguma semelhança com outros discursos que sustentam desigualdades por questões biológicas não é mera coincidencia. É machismo mesmo. Mas vira e mexe temos aliados, e um deles questionou esses malas aí de cima, dizendo que não era pra viagem ter durado tanto tempo, não tinha estrutura no Vostok 6 pra tanto e que por essas condições era claro que qualquer pessoa sentiria um mal estar (vários outros seres humanos que foram pro espaço também passaram mal).

Os controladores do Vostok 6 programaram alguma coisa errada, e ele quase saiu da órbita. A aterrisagem também não foi como planejada. E ela percebeu o que estava errado, avisou os controladores que tavam na terra, e eles demoraram pra acreditar que ela estava certa. Hum, machistas?

Só em 2007 ela contou sua opinião e sentimentos sobre essa viagem histórica. Nesse período, participou de atividades das mulheres comunistas chegando a ser inclusive vice-presidenta da FDIM (Federação Democrática Internacional de Mulheres).

Por Carlos Henrique Menegozzo

A viagem da Valentina Tereshkova é um marco pra nós mulheres na conquista do nosso espaço.

E nós queremos mais.

 

Kaki King

Sabe quando você vai num show foda?

Pois então. O que eu presenciei essa noite foi um show foda.

A Barbara lançou na lista das blogueiras feministas o nome Kaki King e uma apresentação dela. Elogios do Dave Grohl, selo independente, postura massa.

É nesse grau de falta de deslumbramento com a mídia, a indústria e com sua própria fama, mas ao mesmo tempo com um senso de humor irresistível e – não há como negar – muito sexy, como se vê nas suas apresentações, que Kaki King constrói sua reputação não apenas de magnífica guitarrista e compositora. Mas de magnífico ser humano.

Óbvio que fiquei a fim de conhecer.

Os passos seguintes foram entrar no site, curtir a música, espalhar no face, segui-la no twitter, baixar a discografia.

E eis que chegou o show \o/\o/\o/\o/

O show foi todo bom. Os comentários dela também. Ela se saiu bem até quando a luz acabou no final.

Caráleo!” me disse a Carla (que não conhecia nadinha da Kaki) logo depois da primeira música.

Junta talento, criatividade e técnica. Deu uma combinação que eu nunca tinha escutado antes e agora tô aqui ouvindo o “… until we felt red”, CD lindo, sem parar.

Precisava compartilhar. Curti.

 

Eles de novo. Ou, hipócritas.

Mais uma clínica que realizava abortos foi fechada no Rio de Janeiro.

Um dia depois da Marcha pela Família ser realizada em Brasília. O nome da marcha que aconteceu quarta feira lembra a que aconteceu em 1964.

Outro contexto, os mesmos valores conservadores.

A marcha de quarta-feira foi pela família e contra a liberdade.

A base da família que eles defendem não é o ser humano nem o amor. Quem defende o amor, defende o PL 122 (e não necessariamente defende a família).

Essa família dos conservadores reproduz o status quo, além de ser chata! É composta por um homem e uma mulher, que transam não pra sentir prazer, mas pra reproduzir herdeiros. Defendem uma família com o homem provedor, e a mulher bem disponível para cuidar dos filhos, do sogro e da sogra, da casa. Uma família com empregada doméstica. Eles não falam sempre, mas não tem tanto problema assim ter violência nesta família.

Gente, esse modelo de família aí reproduz um monte de desigualdades e não tem nada a ver com o que deveria ser um mundo ideal. E nem parece tanto com o mundo real, já que cerca de 30% das famílias são chefiadas por mulheres, e cresce o número de famílias monoparentais e de casais sem filhos.

As pessoas transam antes, dentro e fora do casamento. As pessoas se divorciam.

As mulheres abortam. Mulheres amam, transam e vivem junto com outras mulheres. Homens amam, transam e vivem junto com homens. As pessoas fumam maconha. As pessoas baixam música na internet.

Mas aí tem uns caras que acham que tem o direito de interferir no que as pessoas fazem da vida. E não é só que querem ser alcoviteiros. Eles querem que o Estado não permita que as pessoas sejam livres. E eles tem poder, votos, fazem leis, falam barbaridades em rede nacional e gozam de imunidade parlamentar.

E eles estão articulados contra as mulheres, homossexuais, negros, pobres.

Daí eles defendem esse modelo horroroso de família num dia, estouram uma clinica de aborto no outro, agridem homossexuais no outro, reprimem violentamente manifestações populares no outro, fazem vistas grossas à existência de trabalho escravo no outro.  “Eles” tem nomes próprios, tem que ser denunciados, processados, desqualificados. “Eles” formam um sujeito coletivo que tem que ser combatido, por tod@s e cada um/a de nós, todos os dias.

***

E o post era pra falar sobre o fechamento da clínica de aborto no Rio, que chamaram de operação hipócrates, mas que obviamente deveria ter sido chamada de operação hipócritas.

Sugestões de leitura:

E se eu fosse evangelicofóbica??, da Marilia Moschkovich.

Somos todas clandestinas, da Aninha Pimentel.

O aborto em 3 pílulas

Publiquei esse post no Trezentos, em 2009. Mas ainda tá atual, né não??

Essa hipocrisia gera hemorragia – Funciona assim: se você tem como arrumar dinheiro, faz o aborto em uma clínica segura.

É simples. Faz uma consulta na clínica, conversa com o médico, marca o procedimento e volta no dia marcado. Sai de lá rapidinho, aliviada. Pode ir trabalhar ou encontrar os amigos. Em São Paulo, pela bagatela de R$ 2.500,00, seu problema tá resolvido.

Mas, se você não conseguiu juntar todo esse dinheiro – o que acontece na maioria das vezes – existem outras clínicas menos personnalité, mais baratas, com recursos técnicos de menor qualidade, e também tem a opção de arrumar um citotec.

Essas alternativas também podem ser feitas de maneira tranqüila, ou você pode se deparar com algumas complicações.

O remédio pode ser falsificado e não funcionar. Se você não tem um médico de confiança e vai pra um hospital qualquer, corre o risco de ser denunciada e presa. Ou te atendem mal, você fica lá ouvindo diversas besteiras. Ou, ainda, se chegou lá cedo (antes do fim do aborto), eles podem tentar impedir a conclusão do processo. Entre outras histórias que você já deve ter ouvido por aí.

Mas, quando tudo passou, a sensação de alívio é a predominante.

***

Nem papas nem juízes: as mulheres decidem! – Aí passa um tempo e sai no jornal a notícia: Clínica de aborto é fechada. E é a clínica que tem a sua ficha. E aí vem a insegurança de novo.

Você lembra que quando fecharam uma clínica, no Mato Grosso do Sul, quase 10 mil fichas de mulheres foram apreendidas.

Só (!) 2,3 mil serão indiciadas. E algumas mulheres já estão sendo obrigadas a fazer serviço comunitário. Em creches, porque os juízes acham que isso vai fazer com que as mulheres reflitam sobre o que elas fizeram. Eles querem que elas se arrependam, ou que se sintam culpadas. Eles acham que elas não pensaram direito sobre isso, nunca imaginariam que elas decidiram sozinhas que não era o momento – por qualquer motivo – de serem mães.

Eles acham que a maternidade é o destino obrigatório para as mulheres. Quase divino. Eles esquecem que mulheres que já são mães também recorrem ao aborto por não querer outro filho no momento. Enfim, eles acham um monte de coisa, baseados em outra crença deles: que eles sabem o que é melhor pras mulheres, que as mulheres não têm capacidade de decidir.

***

Se os homens engravidassem, o aborto seria legal – O aborto é uma realidade porque é uma necessidade pra muitas mulheres. É uma necessidade porque nenhum método anticoncepcional é 100% seguro e a gravidez indesejada pode acontecer.

As relações entre homens e mulheres são desiguais, e são relações de poder. Isso se expressa, por exemplo, na violência contra a mulher – que escandaliza a sociedade (só as vezes). Mas também se expressa na recusa dos homens de usar camisinha, sob vários argumentos. Cada mulher que ler isso aqui deve conhecer pelo menos um deles. E cada homem que ler isso aqui já deve ter usado pelo menos um deles.

O fato é que muita gente já transou sem camisinha.

Quando acontece uma gravidez indesejada, o homem envolvido na história fica preocupado também.

Mas a gravidez indesejada é no nosso corpo. Foi a nossa menstruação que atrasou. Somos nós que podemos ser processadas. Somos nós que corremos o risco de ser humilhadas no hospital. No fim das contas, sabemos que, por mais que avance (a passos lentos) na sociedade a responsabilidade dos pais sobre os filhos, somos nós que vamos ter que atrasar os estudos, prejudicar a carreira, deixar de ir às festas em qualquer dia da semana. Cada mulher que passou por uma gravidez indesejada sabe o que passou pela sua cabeça.

Mulheres invisíveis

Publicado no Blogueiras Feministas.

Acho que Acorda Raimundo é o vídeo mais utilizado em oficinas e debates sobre o trabalho doméstico realizado principalmente pelas mulheres, de forma não remunerada, dentro de casa. E é ótimo.

Uns 20 anos depois, nós temos mais um vídeo que ajuda a fazer este debate. Semana passada, a SOF lançou “Mulheres Invisíveis”.

Ele apresenta de uma forma super didática uma das questões mais importantes pra entender como se estrutura a desigualdade entre homens e mulheres: a divisão sexual do trabalho.

Tem duas sociólogas feministas (Helena Hirata e Daniele Kergoat) que são referência pra pensar neste assunto. Elas estudam a divisão sexual do trabalho não de um jeito puramente descritivo (que mostra onde estão homens e mulheres no mercado de trabalho), mas como o que está no centro das relações de sociais entre homens e mulheres. O texto da Daniele Kergoat – Relações sociais de sexo e divisão sexual do trabalho – apresenta e sintetiza esta visão.

A ideia do vídeo é justamente poder ampliar esse debate, de uma forma que contribua para que o machismo não seja visto como uma construção puramente ideológica, mas que tem uma base material.

O vídeo também traz algumas reflexões da economia feminista, que dá visibilidade pro trabalho não remunerado das mulheres na esfera da reprodução social como uma contribuição econômica que não é reconhecida.

E, como não poderia deixar de ser, coloca a organização das mulheres no movimento feminista como o principal caminho para transformar essa realidade de desigualdade. Assista ao vídeo Mulheres Invisíveis:

Risoto de alho poró, tomate e filé mignon

Cozinhar, pra mim, é uma ação que tem tudo pra dar certo… ou não.

As amigas são fundamentais pra dar aquele apoio moral ou um toque básico: “não funciona misturar pimenta calabresa com pimenta do reino…

Normalmente as coisas ficam meio gororoba, as vezes ficam ok, e as chances de dar tudo bem certo ou de ser um desastre se dividem igualmente.

Mas, depois que a Bianca me ensinou os princípios básicos de como fazer um risoto, as experiências tem sido mais criativas e interessantes – o único desastre desde então foi o risoto que fiz no almoço de páscoa na casa dos meus pais =/

Sem mais, vou registrar aqui a receita de hoje porque deu certo \o/\o/\o/

Risoto de alho poró, tomate e filé mignon.

Eu fiz assim:

cortei o alho poró bem fininho [só deve cortar aquele caule branco e não as folhas (?) verdes]

tirei a casca do tomate  [o tomate era orgânico, e a dica é fazer uns cortes de leve na casca dos tomates e colocar na água quente um tempo. amolece e daí é sussa tirar a casca]

comprei o filé mignon em cubos porque é mais fácil.

aí eu botei o alho poró com uns temperos, azeite, cebola e alho na panela. ficou lá um tempo, eu joguei o filé mignon. passou um tempo e eu joguei os tomates (eu tinha cortado os tomates e amassado com a mão – limpa, tá? – é muito legal fazer isso =)

ah, de tempero coloquei sal, um pouco de molho inglês e pimenta do reino.

aí eu coloquei um tanto do arroz de fazer risoto e fui colocando água aos poucos. a água me disseram que tem que deixar fervendo com caldo de legumes.

tem que ficar mexendo sempre!!!

em algum momento eu joguei rum [me ensinaram a fazer com vinho branco ou cachaça, mas não tinha e funcionou mesmo assim]

e quando já tava quase no ponto eu joguei queijo parmesão ralado.

risotão em algum momento do preparo

pronto =)

JJ e Ju aprovaram!

E depois vimos Cerejeiras em Flor. Filme lindo, hein??