Se você está nesse blog, provavelmente você tem um pézinho na esquerda, pode ser pelo feminismo ou por outro canto.

Eu sou de esquerda, militante feminista e internacionalista. O movimento que eu participo tem como um de seus pilares a solidariedade internacional entre as mulheres. Nós temos como lema um “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres” que significa que a liberdade é pra todas, ou não é liberdade. Por isso, já saímos as ruas pra demonstrar ativamente nossa solidariedade com as mulheres do Haiti, Irã, Turquia, Quênia, República Democrática do Congo, México, Costa do Marfim, Colombia, em vários momentos em que o machismo e o capitalismo, juntos, endurecem a violência e a exploração. Mas também estamos cotidianamente em luta, no Brasil e em mais ou menos 60 países, pra mudar as nossas vidas como mulheres, ao mesmo tempo em que construímos alternativas e estratégias para mudar o mundo.

É deste lugar, e pra quem compartilha dessa atitude internacionalista e de esquerda, que falo sobre o clipe aí de cima.

Não se trata, ao assistir a esse clipe, de dizer: gostei ou não da música ou da concepção artística da banda. Tudo bem, eu gosto muito, e você pode gostar ou não. O gosto é construido socialmente e eu discordo de um modelo que já rolou na experiência da esquerda que doutrina até o gosto artístico e musical. Mas eu quero falar de política.

Desde o início do ano, nós vemos um processo de profundas transformações acontecer em países árabes. Deste processo, jovens, mulheres e grupos políticos organizados participam ativamente. Os olhos do mundo inteiro se voltaram pra lá, as vezes por pouco tempo, porque os grandes meios de comunicação não estão tão interessados em informar os rumos de territórios tão distantes. Mas as indústrias que dependem da riqueza daqueles territórios está devidamente de olho, os países do Conselho de Segurança da ONU também.

Se você tem interesse no assunto e mora em São Paulo, provavelmente foi em um dos bons debates que aconteceram aqui. Se você tá na internet, provavelmente acompanha os bons textos da Carta Maior sobre a primavera árabe.

Se você se coloca num outro lugar, de quem a priori não teve seu interesse despertado pelo que acontece no outro lado do Atlantico, pode imaginar que é a primeira vez que “ouve com outros olhos” essa história.

Eu acho corajoso (e lindo) uma banda pop, que se vira pra produzir sua carreira de forma independente, em um país que tem um grau de conservadorismo grande, fazer o primeiro clipe deste tipo afirmando de que lado eles sambam. Não é um lado eleitoral, não é o lado que garante o nicho de mercado do modelinho eu canto em ingles da MTV, não é o lado fácil. Eu acho que é exatamente o lado do que alguns chamam de transformação social, com um caráter humano forte pra caramba, e um caráter humano que enxerga que tem homens e mulheres na humanidade.

É o lado que quer enfrentar o discurso estadunidense que diz desde 2001 que os árabes são terroristas. Por sinal, esse mesmo discurso diz que terrorismo é qualquer movimento que enfrenta o sistema.

Quando a gente tá numa disputa de hegemonia, diferentes atores cumprem diferentes papéis, e falam para diferentes públicos.

Neste caso, eu identifico que O Teatro Mágico fala em “Amanhã…Será?” com um público que infelizmente muitos movimentos sociais ainda não alcançam. E fala exatamente o que nós falamos nos movimentos sociais, em defesa da auto-determinação dos povos, e pela liberdade das mulheres.

Espero que as imagens e a mensagem deste clipe ajudem a transformar essa moda de usar o lencinho árabe pra ficar com um visual descolado em uma tendencia de ampliar a luta por liberdade, nas ruas e na rede.

Agora…

quem, além de achar que politicamente essa postura do Teatro Mágico faz uma diferença danada, também curtiu muito a música, o video, e tudo (como eu), compartilhe pra mais gente ouvir e compartilhar também.

E… vamos no show? Não vejo a hora de participar disso ao vivo.

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5 comentários sobre “Amanhã… Será?

  1. mto lindo o texto, a Tica é uma referência enorme não só em nossas vidas pessoais, mas tb no projeto do Teatro Mágico! FEminista de luta que nos ensina a entender o machismo lá fora e dentro de nós! Para nos transformarmos e fazer a revolução!
    Te amo minha irmã e companheira de luta!

  2. Adorei o texto… Nem preciso dizer nada do TM pq já sou apaixonada por eles a um tempão… e se você ainda não foi no show vá logo menina, vai ser o melhor da sua vida! rsrs Não vejo a hora de chegar hoje a noite para vê-los!

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