O Chico Buarque fez um pocket show pra adiantar pra galera um pouco da vibe do seu cd novo.
A primeira coisa que me veio na cabeça quando cliquei no link pra ver o que ia rolar foi a música do Teatro Mágico: “Eu não sou Chico mas quero tentar”.
Eu não sou crítica musical, só uma jovem que curte música, internet, política e entende um pouquinho de sociologia.
Não quero aqui desmerecer o Chico. Me lembro de ter aprendido sobre a ditadura ouvindo as músicas dele, já passei noites e noites no roda-viva (bar dedicado a ele aqui em SP), me virei nos 30 pra conseguir ir no show que ele fez aqui anos atrás, vibrei quando ele foi no ato em apoio a candidatura da Dilma e disse que “o Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai” E tá ok. Não é essa a questão. Não se trata de gosto.

O que me fez pensar no TM foi o que me chamou a atenção logo que abri o site: compre no Biscoito Fino a exclusividade pra acessar o conteúdo exclusivo, imagens dos bastidores e um documentário das gravações.

E suspirei um “Ufa! que bom que o Fernando  não é o Chico” E que bom que o ‘tentar’ da música não era tentar ser o Chico, mas era simplesmente ser O Teatro Mágico .

O Ufa! teve a ver com uma idéia de que o TM é um produto do nosso tempo. O novo nunca brota do nada. O nosso mundo vai se construindo de rupturas, continuidades, sínteses. Pra ser o que é hoje – em termos de público, música, estética, política – o Teatro Mágico precisou aprender, ouvir, criar, reinventar, estudar, se articular. Ainda precisa. É assim que funciona a arte, a cultura e a vida.

E precisa inventar e reinventar um jeito próprio de construir o presente e o futuro, fora da lógica do jabá e das grandes gravadoras, sem estar o tempo todo na grande mídia. E estando o tempo todo com a gente, fãs. E com outr@s músic@s que também estão fora desse fuzuê jabazeiro e antidemocrático.

A internet é a principal ferramenta pra isso e, pra continuar sendo, eles estão junto com quem batalha pra que ela seja um direito, acessível, e continue sendo exatamente como é: livre e sem as amarras do AI5 digital.

Então tá aí. Hoje eles fazem também o que o Chico e outros já fizeram e fazem. Letras e músicas com poesia e política.

Passando essa divagação, eu tenho a dizer que o Chico é lindo, mas eu tô muito mais ansiosa pelo lançamento da Sociedade do Espetáculo, o 3º cd do Teatro Mágico, do que pelo cd dele. Eu não precisei pagar 29,90 pra ficar nessa ansiedade toda ao ver as cenas dos bastidores. Sou daquelas que fica ansiosa esperando dar a hora de clicar no teaser (e dar RT) toda vez que sai um novo.  A ansiedade vai crescendo não só pra ouvir quando eu quiser as músicas, que vou poder baixar, mas pra ter o CD em mãos, e pra dar de presente pra um monte de gente que precisa ouvir que essa hétero-intolerancia branca te faz refem”   da mesma forma que há décadas atrás precisou ouvir “afasta de mim esse cálice”.

***

Só mais uma palavrinha sobre outro assunto que ao falar de Holanda’s e Anitelli’s não poderia ser esquecido. O ECAD. Ainda que o de Holanda tenha assinado um manifesto moderadíssimo em defesa da fiscalização do ECAD – o mínimo num Estado Republicano – a de Holanda ao longo desses 7 meses no Ministério da Cultura tem feito o maior papelão. Já os Anitelli’s tiveram a capacidade de, junto com @s militantes da cultura livre, explicar pra uma galera do que se trata o ECAD, como são injustas a arrecadação e a distribuição dos recursos, como o ECAD prejudica inclusive artistas que querem liberar suas músicas pra tocar em rádios comunitárias sem que estas sejam multadas pelo ECAD, essas coisas que você pode encontrar ao procurar sobre o assunto na rede. Acho inclusive que a existência deste debate pautado pela galera da cultura livre e do MPB fez com que alguns músicos que estavam bem acomodados com a bandalheira do ECAD tivessem que se posicionar.

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10 comentários sobre “ufa…

  1. Também acho tudo isso.

    Que bom que o TM está fazendo história, está marcando, que bom que este é o nosso tempo.

    Só acho triste o Fernando não aceitar críticas. E encontrá-las e repudiá-las mesmo quando não existem. Que nosso tempo seja também de tolerância, de ouvir o que o outro fala, mesmo quando não entendamos por completo!

    “Quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto!”, ele disse uma vez e eu continuo acreditando. Aliás, não vejo a hora do terceiro cd chegar…

    http://www.isabellices.com/todo-mundo-amarela-uma-hora/

    1. foi uma pena esse episódio, acho q estávamos no calor do momento e fernando não é um quadro preparado pra estar sempre tranquilo e paciênte pq por aqui é tudo com o fígado rs, até hj tentam escantear a gente de todas as formas, parece q nosso caminho é sempre mais sofrido! Mas é mais gostoso por termos um público, e não platéia. Erramos, mas vai servir pra gente aprender e se preparar melhor pras críticas!!!
      valeu isabela!!queros saber o q vc achou do cd depois!!!
      Gustavo Anitelli

      1. Tenho absoluta certeza de que ele estava no calor do momento, cheguei a comentar com muitas pessoas sobre isso. Várias críticas, muita gente pressionando pelo Twitter…

        Só estou ansiosíssima para encontrar vocês todos e dizer QUE EU AMO O TEATRO MÁGICO, SEUS BESTAS, parem de achar que eu critiquei vocês. HAHAHAHAHA.

        Riremos juntos em breve.

  2. Adorei sua opinião! Penso exatamente a mesma coisa, principalmente a respeito do ECAD. Infelizmente, este órgão deveria ser um regulador e proliferador da cultura na mídia, mas faz questão de ser um agente burocrático da mesma. O que temos visto nas TVs abertas, e também nas fechadas ultimamente? O que temos ouvidos nas emissoras de rádio? Isso é apenas um espelho do que o ECAD tem proporcionado à população: material feito de qualquer jeito, sem estudo, sem vivência, apenas um meio chamado de entretenimento popular que simplesmente liga o nada a lugar nenhum.
    É por isso que, assim como você, sou fã do TM, da cultura erudita; valorizo a harmonia musical, a história por trás de cada letra, a poesia, o encanto… E, principalmente, o contexto social atual o qual estamos inseridos e temos o dever de compartilhar: compartilhar conhecimentos, arte, cultura… Como o TM faz da sua arte: uma arte simplesmente geniosa e genial.

  3. O TM é uma das poucas coisas boas do nosso tempo… Acho que no passado as pessoas eram menos acomodadas e lutavam pelos seus objetivos. Hoje poucos se fazem ouvir e por isso vivemos em uma sociedade cheia de hipocrisias que prega uma falsa liberdade e o que interessa mesmo e o consumo. Valeu TM por ser o que vc e e representar muitos de nossos interesses sem medo de expressar a sua opinião.

  4. Só continuei com uma dúvida, era realmente do Chico Buarque que o Teatro mágico estava falando? Pensei que pudesse ser de São Francisco ou Chico Xavier…

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