Mais uma clínica que realizava abortos foi fechada no Rio de Janeiro.

Um dia depois da Marcha pela Família ser realizada em Brasília. O nome da marcha que aconteceu quarta feira lembra a que aconteceu em 1964.

Outro contexto, os mesmos valores conservadores.

A marcha de quarta-feira foi pela família e contra a liberdade.

A base da família que eles defendem não é o ser humano nem o amor. Quem defende o amor, defende o PL 122 (e não necessariamente defende a família).

Essa família dos conservadores reproduz o status quo, além de ser chata! É composta por um homem e uma mulher, que transam não pra sentir prazer, mas pra reproduzir herdeiros. Defendem uma família com o homem provedor, e a mulher bem disponível para cuidar dos filhos, do sogro e da sogra, da casa. Uma família com empregada doméstica. Eles não falam sempre, mas não tem tanto problema assim ter violência nesta família.

Gente, esse modelo de família aí reproduz um monte de desigualdades e não tem nada a ver com o que deveria ser um mundo ideal. E nem parece tanto com o mundo real, já que cerca de 30% das famílias são chefiadas por mulheres, e cresce o número de famílias monoparentais e de casais sem filhos.

As pessoas transam antes, dentro e fora do casamento. As pessoas se divorciam.

As mulheres abortam. Mulheres amam, transam e vivem junto com outras mulheres. Homens amam, transam e vivem junto com homens. As pessoas fumam maconha. As pessoas baixam música na internet.

Mas aí tem uns caras que acham que tem o direito de interferir no que as pessoas fazem da vida. E não é só que querem ser alcoviteiros. Eles querem que o Estado não permita que as pessoas sejam livres. E eles tem poder, votos, fazem leis, falam barbaridades em rede nacional e gozam de imunidade parlamentar.

E eles estão articulados contra as mulheres, homossexuais, negros, pobres.

Daí eles defendem esse modelo horroroso de família num dia, estouram uma clinica de aborto no outro, agridem homossexuais no outro, reprimem violentamente manifestações populares no outro, fazem vistas grossas à existência de trabalho escravo no outro.  “Eles” tem nomes próprios, tem que ser denunciados, processados, desqualificados. “Eles” formam um sujeito coletivo que tem que ser combatido, por tod@s e cada um/a de nós, todos os dias.

***

E o post era pra falar sobre o fechamento da clínica de aborto no Rio, que chamaram de operação hipócrates, mas que obviamente deveria ter sido chamada de operação hipócritas.

Sugestões de leitura:

E se eu fosse evangelicofóbica??, da Marilia Moschkovich.

Somos todas clandestinas, da Aninha Pimentel.

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Um comentário sobre “Eles de novo. Ou, hipócritas.

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