Quando eu estava no ensino médio, você fez um desserviço pras meninas da minha idade, que é a mesma idade que a sua.

Foi a época da “garota sandy“: uma jovem, bonita, magra, de cabelo liso, a filha que todo pai e mãe queria ter, rica…. e virgem. E que afirmava que queria casar virgem.

A garota sandy era aquilo que nenhuma de nós éramos, mesmo que a gente tivesse uma ou outra característica dessas aí de cima. A verdade é que a gente nem queria ser daquele jeito.

Foi a primeira vez (que eu me lembre) que eu me vi sendo comparada com um modelo de mulher que eu não queria ser. E eram os outros que nos comparavam. Aí a gente foi se sentindo inadequada, umas mais, umas menos.

Qual era (qual é) o problema de não casar virgem? (Isso pra não perguntar qual é o problema de não querer casar…)

Você não acha um problema de fato, até porque há alguns anos você afirmou que não tinha casado virgem. Fico até aliviada por você, porque imagina se não fosse bom com seu marido? Ainda mais se a relação de vocês for monogâmica e conservadora… Não desejo uma vida sem orgasmo nem pro meu pior inimigo.

Mas voltando. O padrão “garota sandy” não foi uma reportagem qualquer que saiu na revista da folha. Reforçou um padrão que faz com que a anorexia e a bulimia estejam entre as principais doenças de jovens mulheres, que faz com que milhões de meninas e mulheres vivam sua sexualidade a vida inteira de forma passiva, em função do desejo e do prazer do cara, que faz as meninas e mulheres que são donas do seu desejo serem consideradas vadias, vagabundas, putas, devassas.

O machismo faz isso: separa as mulheres entre santas e putas, “valoriza” as santas e puras e desqualifica, discrimina, violenta as “putas”.

Deve ter algum motivo pra você se afirmar como santa, e não como puta, numa época da sua vida.

E daí eu vou te dizer, caso você ainda não tenha entendido o porquê dessa carta aberta, seu segundo desserviço pras mulheres. Ser a nova garota devassa.

Pra quê?? De dinheiro você não precisa.

Você não estudou psicologia? [Não, me disseram aí nos comentários que ela estudou Letras, mal aê – mas eu lancei um google e vi que na época do meu ensino médio, de onde eu tirei a memória pra escrever esse post (ano 2000), circulou a informação da psicologia, rs.] Deveria ter aprendido alguma coisa sobre sexualidade teoricamente, além da prática (que, de novo, espero que seja boa pra você).

Nem as santas, nem as putas, são donas do seu desejo, do seu corpo, da sua sexualidade. O símbolo da devassa, e o imaginário que essa cerveja construiu – e que você vai propagandear – é o de uma mulher feita nos moldes do que a maioria dos homens tem tesão por. Importa o tesão deles, e não o nosso.

As revistas femininas (e as masculinas) fazem isso também. Sabe aquelas dicas da Nova pra fazer qualquer mulher deixar qualquer homem louco na cama? Então. É o mesmo machismo, a mesma submissão.

Você de alguma forma tá querendo apagar a imagem de santa, usando a idéia de que você pode ser devassa?

Vou te dar um conselho… de mulher pra mulher: você não precisa ser santa, nem puta. Você pode ser livre.

****

Sobre a cerveja citada, tem esse post aqui.

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43 comentários sobre “Carta aberta para Sandy

  1. Você tem pouquíssimo conhecimento sobre a pessoa ou a artista Sandy, porque se tivesse conhecimento saberia que a Sandy nunca se definiu como uma santa, isso foi a própria mídia que criou, toda menina (pelo menos antigamente) na pré adolescência tinha o sonho sim de casar virgem e ela não era diferente, e a partir do momento que virou um rotulo, ela sempre afirmou que nunca foi e nem seria santa. Outra coisa, a Sandy se formou em Letras, não em Psicologia. O padrão Sandy: olha eu acompanho a Sandy desde criança e na minha opinião ela é umas mulheres mais lindas que já vi, e nunca eu tive vontade de querer ser como ela ou com qualquer outra mulher que me inspire, justamente porque eu sei quem eu sou e tenho minha personalidade, então se você ou essas meninas sem autoestima suficiente pra respeitar a pessoa Sandy se incomodavam, o problema não é dela de ter nascido linda, magra, com o cabelo liso e ser uma menina de família. Ela sempre foi magra, naturalmente, agora por ela ser assim, ela é culpada até sobre distúrbios alimentares? Me polpe! VOCÊ é a fraca, VOCÊ se sente pra baixo por que QUER. Se te cobravam ou te comparavam a ela, azar o seu de se incomodar, não da Sandy. Eu sou totalmente contra esse apelo sexual pra cima da mulher, acho machismo tbm, mas falando comercialmente a ideia foi genial e justamente por a Sandy ser LIVRE ela fez o comercial, não pra destruir a imagem de santa, pq isso ela já desistiu faz tempo (se vc conhecesse mais a historia dela saberia) Pra mídia e pra pessoas como você que não a conhecem direito ela é alguém tentando ser outro alguém, mas na verdade ela é dona de si mesma se divertindo com os rótulos e “desrótulos” que dão a ela. Eu tenho muita coisa contra a Sandy, mas jamais culpar ela ou alguém por um problema que eu tenho, e se tenho contra, é porque tenho conhecimento, que no seu caso, faltou neste post.

    1. Querida, releia o post da autora e tente situar melhor a crítica feita por ela. A Sandy, por mais que você afirme que ela não quis de forma alguma passar o estereótipo de “garota ideal”, também não fez nada para que ele não fosse passado pela mídia da época. Eu não sei se você reparou, mas quando a autora falou de psicologia, ela disse que NA ÉPOCA ELA OUVIU RUMORES DISSO, ASSIM COMO OUVIU SOBRE LETRAS.
      Perceba que a critica se direcionou ao fato de que a imagem da Sandy foi colocado nos extremos: santa ou puta. O que reforça a forma como a sociedade compreende a sexualidade feminina.
      Agora, me desculpe, mas preste mais atenção no blog da autora. Acha mesmo que ela é fraca e tem baixa autoestima? ME POUPE.

  2. “então se você ou essas meninas sem autoestima suficiente pra respeitar a pessoa Sandy se incomodavam, o problema não é dela de ter nascido linda, magra, com o cabelo liso e ser uma menina de família”.. jura que essa é sua definição de respeito? leia de novo por favor o post (mais e mais vezes até entender do que a autora está falando.. ah, e boa sorte com o acompanhamento da vida dela, pois os detalhes insignificantes que a autora deixou passar no texto não tiram o fato da crítica ser bastante pertinente: modelo “garota sandy” (construção da mídia só? vc acredita naquela história de “quarto poder”? ok…) é um desserviço sim, não apenas para as meninas, mas para as mães, os pais, os irmãos, para sociedade.. modelo..tipo.. não uma pessoa em si..afinal, se não fosse a Sandy, seria outra (como existiram como a Angélica, tentaram com Britney Spears, e por ai vai..)..

    PS: acrescentaria um padrão a mais: branca..afinal é o modelo eurocentrico do alvo e liso que impera na imagem criada..outro desserviço (na verdade, um atentado!)..

  3. A crítica em questão do modelo de menina perfeita ou imperfeita eu concordo sim, mas a autora não citou a Sandy nessa crítica e sim afirmou que a Sandy mesma quis ser e criar esse tipo de modelo, o que não é verdade. A minha definição de respeito é que se eu tenho problemas com autoestima, a culpa é minha em me deixar levar por modelos de mídia ou modelos perfeitos que eu crio na minha mente e não acusar a pessoa como criadora disso, que foi o que a autora fez.

  4. hahahahahaahahah
    achei o post da autora legal, e fui ler a resposta da garota criticando, mas nao consegui chegar nem à metade qnd meu olho bateu no “ME POLPE!” q ela mandou.

    sorry, acho q vcs nao deveriam leva-la tão a sério. ela quer ser esmagada em pure e jogada no macarrão.

  5. Eu achei o tom acusatório do post um tanto exagerado, pois a imagem do artista para consumo do público (jeitos, trejeitos e atitudes públicas) é criada pelo staff dele (no caso da Sandy, o staff são/foram, coincidentemente, os pais dela – e aí se abre um PUTA leque de discussão – tô fora).

    A Sandy artista é para ser consumida da forma pela qual os gestores da carreira dela moldaram seu “caráter público” e as alterações que propõem (antes era santa, agora é Devassa), igualzinho à cerveja para a qual ela resolveu fazer propaganda. A Sandy pessoa física, pouquíssimos conhecem de verdade. Nem a Marjorie, nem a Tica. E, mesmo se conhecessem (ou conhecerem), isto pouco adianta, já que a imensa maioria dos consumidores não conhecem, e a discussão volta a cair no vazio.

    Na verdade, fazer uma carta aberta para um ente imaginário (Sandy artista), a meu ver, não traz lá muita contribuição para que a Sandy “real” mude de atitude (ah, sei lá, já pensou se na intimidade ela for gente boa, devassona – ou legal como a Tica – e ficou nos enganando o tempo todo com esse papo de “santa” dos marqueteiros?)

  6. A submissão das mulheres ao querer e à idealização masculina existe e é terrível, principalmente porque é sutil, quase como uma força invisível.
    No geral, acredito nas mesmas coisas que a autora do blog.
    Porém, nesse caso, tenho que concordar com a colega aqui de cima em alguns pontos. Sabendo um pouco do discurso RECENTE da Sandy, eu acho (ACHO) que ela, ao aceitar fazer esse comercial, estava querendo exatamente mostrar que a SANDY PESSOA JURÍDICA (termo errado, mas serve pra ideia que quero passar) PODE ser outra que não aquela que todos enxergam e desejam que ela seja: a garota (apesar dos 28 anos) de família, que não bebe, não fala palavrão, nunca saiu da linha e nunca fala sobre sexo de maneira pessoal em público (só em linhas gerais)… Não acho que ela queria se adequar a outro padrão (de puta ou de gostosa). Até porque, né? o comercial é BEM água com açúcar, não deixa de estar nos padrões Sandy… O buzz que gerou é que foi chocante. E por que será?
    Apesar das pessoas, muitas vezes, verem na Sandy a imagem da ingenuidade, acredito que nós é que somos ingênuos em relação a ela. Só mais uma cantora pop, com uma imagem construída e massivamente veiculada pela mídia. Imagem construída muito pelas bobagem que falou na adolescência (deve se arrepender até hoje), mas mantida por tanto tempo por algum motivo (algum palpite?).
    No fundo, SANDY PESSOA FÍSICA deve ser mais livre que muitas das mulheres que dizem abominar “garotas tipo Sandy”, exatamente porque Não dever ser uma garota tipo Sandy. Mas ela deve SABER disso. Saber o que não é. Saber da sua MÁSCARA e a manipular de modo que passe a imagem que QUER passar para o público.
    A campanha da cerveja é só mais uma jogada de mkt de uma celebridade na tentativa de desconstruir um pouco da imagem pública que tem. Vemos isso todos os dias.
    A questão é que as pessoas COMPRAM, ACREDITAM. E criticam ou elogiam a moça que emprestou a sua imagem para um comercial de cerveja, quando o que, ao meu ver, é mais válido de ser questionado é porque projetamos nela alguns ideais de comportamento ou a tomamos como exemplo do que não ser. Não estamos apenas escolhendo alguém pra ser a “encarnação” de um estereótipo que odiamos (talvez um arquétipo), como um bode expiatório?

    (Desculpem possíveis erros de Português)

  7. É claro que as criticas do post são baseadas na imagem, no modelo, que alguém criou da Sandy. Se foi ela mesma ou se foi alguém outro, e com que propósito, não sabemos. Até que ponto somos responsáveis pela imagem que criam de nós? (Conheço uma pessoa que adoraria esta discussão…) Uma questão interessante a ser levantada é: A Sandy tinha direito de fazer o que fez nestas duas situações? É claro, direito ela tinha. O que podemos questionar é a autenticidade das ações. Será que elas foram tomadas para tentar manipular sua imagem? No primeiro momento, acho difícil. Até porque a virgindade hojé também é alvo de preconceito. Já no segundo momento fica claro que ela quer publicidade. Aí é que ela poderia ter se omitido moralmente. Não pela moral que reprime a sexualidade feminina, mas pela moral que a respeita.

    Tica, adorei a clareza com que você expressou a forma do velho modelo classificar as mulheres. Para as santas, a segurança financeira e social. E nada de prazer. Para as putas, prazer (quem sabe…) e desprezo. Tudo isso praticado em geral pelo mesmo indivíduo. O que homens de verdade querem, e o que as mulheres minimamente precisam exigir, é a possibilidade de uma relação igualitária e integral, que agloreme cuidado, carinho E prazer.

    E é por isso que condeno junto contigo o conceito criado pela cerveja, pois ele reforça esta polaridade.

    Agora, precisamos admitir, o marketeiro da Devassa é um gênio! Polêmica vende…

    Ele pode ser um porco machista, mas é um porco genial.

    PS: Tulio, não fala alto que daqui a pouco eles pegam uma mulata como garota propaganda.

  8. Acredito que a imagem de “santa” tenha sido intencional sim. Mas não é essa a discussão.
    Sandy, querendo ou não, era a personificação do comportamento cobrado não só da autora do post, mas de boa parte das meninas da mesma época. Agora ela parece correr na direção oposta, querendo se aproximar do estereótipo da garota de comercial de cerveja.
    Perante a mídia, ela é mais um exemplo da mulher que tenta se adequar aos padrões mais solicitados pela sociedade, sem se importar com as raízes e os dedobramentos dos mesmos.
    As posturas de Sandy reforçam a cobrança que todas nós, em algum momento, sofremos. Concordo com o “você pode ser livre” da autora e acho que tanto a Sandy-Boa-Moça quanto a Sandy-Devassa são dispensáveis.

  9. Tudo bem que na vida pessoal ela pode ser outra coisa, se se ligar a nenhum padrão. Mas onde está a responsabilidade de quem se comunica para as massas, para para garotas em formação, para quem tem e quem não tem razão para fazer seus juízos?
    O erro dela não é a postura pessoal e isso nem é questionado. O erro é criar e reforçar uma imagem pública da maneira mais conveniente, sem se importar com as possíveis e prováveis consequências.

  10. Concordo com a Tica e com a Juliana. Não nos interessa aqui saber como a Sandy é na intimidade. Mas sim a postura que ela adotou ao longo da carreira. Ninguém deixa um produtor, os pais, ou quem quer que seja criar uma imagem sem ser condescendente com isso.

  11. Marjorie, de fato eu tenho pouquissimo conhecimento sobre a vida da sandy. E também não acompanhei os discursos recentes dela, Aline.
    Mas como alguns de vcs disseram, não conhecer a intimidade dela não anula o meu direito de não ter gostado de nenhuma das duas imagens que foram veiculadas dela.
    Vinicius, acho que deu pra perceber que a intenção não é que ela mude de ideia e rasgue o contrato né??
    Um post como esse, em um blog como esse, serve simplesmente pra gente poder olhar pro assunto com outros olhos. Os comentários cumprem com o mesmo papel.
    Eu, pessoa física (rs) acho paia esse papel a que a Sandy foi submetida. E não acho que tem problema falar sobre isso. Por isso concordo inteiramente com a Juliana e o Wagner, por exemplo.
    E só discordo um pouquinho do Igor: os marketeiros (ou marketeiras) não são tão geniais assim. Não criaram nada novo, tão reciclando o sexismo da publicidade. É mais do mesmo, na minha opinião. Não é a polemica que vende. A polemica, infelizmente, é pequena demais pro alcance da distribuiçao da cerveja nas principais cadeias de supermercado, pro preço menor que cobram das produtoras de festa.

  12. Tica,

    Problema, realmente, não tem. Também não achei que você quer que ela rasgue o contrato ao ler o post, achei muito mais: que você praticamente está exigindo dela um “mea culpa”, uma imolação ou seiláoquê por ter estragado a infância e a adolescência de milhões de meninas submetidas ao modelo torpe, sexista e opressor que ela ajudou a disseminar. Daí o exagero que eu identifiquei.

    A Sandy PJ está no mercado, a Devassa também. Consome quem quer, se submete aos sortilégios marqueteiros quem se influencia por eles. E este é o ponto principal, Tica: os “culpados” são os operadores do mercado de choubizines, pessoas que podem ser homens ou mulheres, magras ou gordas, fazer chapinha ou andar de cabelo frisado. A Sandy é a arma, não o atirador. E, convenhamos, ninguém vai processar um revólver por ter levado um tiro.

    Enquanto as pessoas derem tanta importância a coisas sem nenhuma importância para a humanidade (como o cabelo de fulana, a magreza de sicrana, a roupa de beltrana), esse sistema se retroalimentará. Se, ao ouvir uma música, se concentrassem na música e não na roupa de quem canta, teríamos menos Sandys flanando por aí e ditando comportamento. Mas isso, pelo visto, é o que menos importa. Os marqueteiros deliram e enchem as burras.

  13. Interessante a discussão q se abriu na crítica à pessoa Sandy na intimidade (chamaram de física) ou à Sandy modelo, imagem apresentada ao público (“psoa jurídica”). Acho que todos nós aqui só temos acesso apenas àquela Sandy imagem-pública (uns acompanham bem mais obviamente), e como foi falado essa pessoa/imagem foi construída não apenas pela própria Sandy, como também por todo o meio em que ela está inserida (produtores musicais, marqueteiros, agentes, empresário, jornalistas, faustão, etc…). Nesse sentido vale muito mais a pena ler a crítica da Tica como direcionada a um símbolo (imagem pública da Sandy) que é construído por mil e uma mãozinhas que estão no jogo trabalhando e reproduzindo valores machistas, modelos fixos de mulher, de comportamento e etc.
    Nenhum de nós sentou à mesa do bar pra tomar uma breja (brahma, por favor) com a Sandy e descobrir muito além doq conhecemos pelos meios de comunicação. Mas como foi dito aí nos comentários, a Sandy (física, dotada de uma personalidade certamente muito mais complexa doq a dicotomia santa x devassa) também é uma pessoa livre em suas escolhas… ainda bem!! Acho plausível esperar dela um comportamento diferente e submete-la à crítica tb, como pessoa física, livre em suas escolhas. Poderia ter recusado a oferta milionária (ela precisa afinal dessa grana?) e ter investido seu tempo em produzir boas músicas, aprimorar seus dotes líricos e escrever letras subversivas (pffff….)

  14. Tô nem pra Sandy, achei ótimo o fato de ter levantado a questão principal: a imposição de um modelo de mulher que outros (e até outras) querem que sigamos!

    Não acho, também, que a idéia tenha sido dialogar diretamente com a Sandy (tanto é que a carta é aberta, e não um email para a caixa postal da mesma), mas sim abrir pra tantas outras pessoas a idéia/discussão de que não é porque divulgam pra todo lado que a mulher tal é perfeita que este seja um modelo que todas devem se encaixar.

    Neste caso foi citada a Sandy justamente pelos esteriótipos dela divulgados anteriormente e agora este novo “esteriótipo” que estão tentando divulgar dessa cerveja machista. Ser pessoa pública dá nisso, o que fazemos tem muitooo mais repercussão, a Sandy deve saber disso gente…

  15. A questão é muito mais profunda do que o simples fato da Tica, como pessoa fisica, nao curtir as figuras que representaram a vida da Sandy, a questao é que a mídia se encarregou disso reforçando padroes, reforcando preconceitos contra o diferente da Sandy, reforçando disturbios alimentares,reforçando machismo… Realmente essa estratégio nao foi e nao é atoa, é assim que a publicidade funciona e nós mulheres somos prejudicadas, pois pra muitas é preciso seguir esses padroes. Fica bem dificil se enquadrar num mundo onde as mulheres são de plastico se nao tivermos um pensamento critico sobre esses fatos.
    Eu adorei o texto e ele é uma proposta pra continuarmos denunciando o que nos torna presa ao sistema machista.

  16. “Eu, pessoa física (rs) acho paia esse papel a que a Sandy foi submetida.”

    Eu também acho péssimo, mas acho que a Sandy também deve achar. Talvez ela já se foda o suficiente por essa falsa-imagem, não?… Não deve ser legal ser a pessoa por trás de um rótulo de santa ou de qualquer coisa, seja lá quem o tenha criado ou disseminado. “Ser” uma imagem que as pessoas não permitem que seja desconstruída, pois assim elas perderiam um modelo ou um modelo pra odiar. (Já vi a Sandy reclamando que o público não a deixava crescer… não os publicitários, a mãe, o staff… o público!)
    Concordo que não seja necessário tentar se enquadrar num novo padrão para apagar o anterior e o discurso dela é exatamente esse. Vive dizendo que não quer construir uma outra imagem, de louca, para mudar a de santa e tentando dar declarações sutis sobre como é um ser humano normal, multi-facetado e complexo.
    Mas o público entende assim? As pessoas não esperam ver um ser humano ordinário numa revista de “celebridades”, as pessoas esperam a Amy Winehouse, a Bruna Surfistinha, ou a Sandy. Estereótipos.
    Quem sabe o comercial de cerveja tenha sido uma tentativa desesperada de conseguir “mandar o recado” para um número maior de pessoas ao mesmo tempo. Na mesma proporção que o recado da garota virgem foi mandado.
    Uma forma equivocada, talvez um tiro pela culatra. Acho uma merda o padrão “loira do comercial de cerveja” também. Qualquer padrão. Mas a menina tá a tanto tempo tentando mudar a imagem de santa e sem sucesso…
    O que e como seria mandar o recado certo (mulher livre) sem precisar de uma propaganda ou de um conceito num clipe? Talvez fosse preciso começar a revelar opiniões ou comportamentos que ela tenha na intimidade, mas aí, provavelmente, apagaria a linha que divide vida pública de vida privada e ela teria de bancar isso.
    Só penso que não deve ser fácil e nem possível ter controle total da imagem que se passa, nem pra gente nem pra quem se comunica com muita gente. Até onde a responsabilidade da imagem veiculada é da pessoa? O que ela poderia fazer quanto a isso, enfim? E, pensando no comentário do Vinícius (“Se, ao ouvir uma música, se concentrassem na música…”) o que seria para uma cantora ter de responsabilidade nisso tudo, a princípio?
    Pra mim, o buraco é bem mais embaixo, e acho que vale pela reflexão, mas a crítica poderia ser direcionada aos publicitários, jornalistas e marcas de cerveja, como, aliás, é o post anterior. Mesmo sendo direcionada à pessoa pública (melhor que “jurídica”, rs), não acho que uma mudança significativa viria por aí.

    Sobre o comentário da Thamy (“a mídia se encarregou disso reforçando padroes, reforcando preconceitos contra o diferente da Sandy”), você acha mesmo que o preconceito maior é contra o diferente do tipo Sandy??? Sempre tive a impressão contrária. De que as meninas que faziam o tipo Sandy, mesmo que fosse natural e não pela tentativa de se encaixar num padrão midiático, eram aquelas que sofriam maior preconceito. Ainda é assim. Tanto é que a polêmica pelo comercial é exatamente essa, “o que essa menina certinha, santinha e bobinha tá querendo pagar de mulherão?” Não deixa de ser outro preconceito machista, que existe também por causa de outro parâmetro. É o caso de uma carta aberta para a Paris Hilton criticando sua pessoa pública por prestar um desserviço a outras meninas (Sandy inclusa) fazendo-as sofrer preconceito por não se encaixarem no padrão “loira do comercial de cerveja”? rs No fim seria outra discussão sobre imagem e mensagem.

  17. Mas ela É livre. Quem vê ela de um jeito ou de outro é a mídia, é você. Ela é o que é, deixem a garota em paz, ela não pediu pra ninguém segui-la, pôxa.

  18. É por essa e por outras que os pais deviam proibir os filhos de verem televisão até completarem 18 anos.

    É um massacre a legião de mediocres que temos que enfrentar na vida e por isso muitos de nós nos vemos incapazes de participar de batalhas maiores.

    A televisão cria esses monstrinhos e nós, não tão experientes, acabamos por nos embrenharmos numa guerra. Nossas amigas e nossos amigos passam a adolescencia nos comparando com modelos Sandy e agora com modelos Maria. E a pressão é muito grande ainda mais porque aquele gatinho ou gatinha que a menina está interessada tambem vive nessa de ter que ter uma aprovação da malta ignara.

    O ideal é que nós ingorássemos as Sandys que a midia nos apresenta. Por isso que meus filhos crescerão longe da civilização. Eu odeio a civilização. É muita mediocridade. Pior que a lavagem cerebral que Sandy@midia fez nas meninas dos 90’s , tem a que a Xuxa fez nas meninas dos 80’s

  19. Acho meio difícil a gente querer experessar nossas opiniões aqui, se a dona do blog fica mediando os comentários. Ela pode estar aqui para falar da Sandy, mas quem está aqui e fala sobre ela e sua formação ela exclui.
    Sendo assim, é muito fácil acusar um artista, a mídia ou qualquer outro de influência. Essa via não é de duas mãos, na verdade acho que nem é uma crítica, é um desabafo, daquilo que não conseguiu ser. Seja um modelo de Sandy ou qualquer outra coisa, até uma Margaret Sanger.

  20. SE FOR ASSIM O QUE FALAR DO JUNIOR? VCS LEMABRAM DA IMAGEM QUE ELE TINHA? E QUAL A IMAGEM QUE ELE TEM HOJE?
    E AS SUAS QUALIDADES COMO MÚSICO INSTRUMENTISTA QUE AS PESSOAS NÃO VIAM ANTES, DIZENDO QUE ELE ERA SOMBRA DA SANDY. CONCORDO COM O VINÍCIUS, AS PESSOAS ESTÃO SE PREOCUPANDO SÓ COM A IMAGEM E ESQUECENDO DO PRINCIPAL QUE É O TALENTO DO ARTISTA, SE TEM OU NÃO. SE A MÚSICA É BOA OU RUIM.
    obs. nunca curti esses dois.
    E OUTRA, O QUE É DEVASSA PRA UNS PODEM NÃO SER PRA OUTROS.
    EU ACHO QUE O MACHISMO VEM DA PROPRIA TICA MORENO AO JULGAR A CONTORA, QUE CÁ PRA NOIS TEM UMA CARINHA DE SAFADA.

  21. caramba, só li as primeiras linhas do primeiro post e eu vou logo dizendo: põe antigamente nisso, hein! hahaha acho o seguinte quanto à sandy: ela faz o que ela bem quer. acho o seguinte quanto à devassa e tudo o que tem a ver: pode até ser um símbolo de machismo, sim, mas, na real, o que eles querem mesmo é vender cerveja. se formos pensar bem, todas as cervejas tem essa conotação machista. não sou feminista por uma questão de gosto: não gosto de me rotular. mas gosto de inúmeras ideias feministas que pra mim são incontestáveis. em todo o caso, pra que tanto parafuso só por causa de um comercial? aliás, deixando o machismo de lado, parabéns aos publicitários. boa sacada.
    vai de cada mulher saber se respeitar, quanto aos homens, bem, tem idiota pra tudo. nada justifica casos de violência física e verbal, que fique claro. enfim… isso é assunto pra mais de metro.

  22. Se for observado em não é a Sandy que criou esse “modelo perfeito”, e sim a midia com essa ideia de definir um padrão de beleza… esquecendo que a verdadeira beleza não esta em ser magra, cabelo escorrido, branca ( de preferencia ter cabelos loiros) e ainda ser santa…isso existe?? tenho certeza que não.. ninguem, principalmente no Brasil tem todas essas caracteristicas naturalmente.. mais o pq na midia encendiar a cabeça de milhões de garotas com essa ilusão de beleza???isso ocorre par aumentar gradativamente o consumo, pois para ser adquirido tudo esse padrão a jovem tem q se submeter a alguns produtos, de modo que a verdadeira beleza seja escondida por tras de diversas estrategias para ser adquirida uma beleza artificial, nos transformamos muitas vezes em barbies, vazias e fúteis…

  23. Não acho que polêmica vende.Polêmica gera discussões, debates, inclusive este aqui no blog(rs)…
    O texto na minha opinião é pertinente justamente pela polêmica criada pelo comercial da Devassa, mas na minha opinião não traduz a realidade da “pessoa física” Sandy. Pelo pouco que conhecemos de sua vida pessoal, sabemos que ela não foi nem santa nem puta como sugere os padrões do texto.Tais padrões de comportamento normalmente são criados pelo staff e marqueteiros de plantão ,que atuam no mundo artístico. E Sandy como artista é uma “marca” forte ,vende muito bem, cria tendências e alimenta o universo imaginário de sua grande legião de fãs(hoje não só de “baixinhos” mas de “marmanjos” também).E em termos artísticos e mercadológicos não há nada “condenável” na postura da “artista” Sandy em “vincular” sua imagem a qualquer produto que considere afinado com o sua “ideologia”.A autora ,por fim, parece não enxergar que talvez o que “incomode” a alguns na postura da cantora é justamente a liberdade e serenidade que Sandy demonstra ter nesses momentos de mudanças de posturas e atitudes…

  24. Belo texto Tica!!!
    Fiquei chocado com a propaganda da Sandy… ela consegiu prestar um desserviço maior que a Paris Hilton…

  25. entendo esse ponto de vista, mas nunca tinha me passado pela cabeça que a sandy era um modelo. na minha pré adolescencia era o contrário, a molecada ria e tirava sarro dela. virou adjetivo, tipo “fulanda é super sandy” no sentido de é uma sonsa completa. isso no interiorrrrr de são paulo.

    tb acho que essa imagem dela é produzida, pela mídia e pelos pais. não querendo defender ela, nem tapar o sol com a peneira, mas coitada, eu penso nela como prejudicada nessa história toda também. claro, foi uma escolha dela, mas essas celebridades mirins parecem que acabam crescendo a sombra do que os produtores/mídia decidem sobre a pessoa.

  26. Bah nem consegui ler todas as respostas.. Porém, para a primeira guria.. faltou ela entender o tom de DENÚNCIA ao machismo “linkando” com a figura da Sandy que sim é uma construção da mídia, mas a figura também é reflexo da sociedade… e também a questão de as mulheres que tem auto estima baixa faltou tu entender que não é culpa do “ser” as mulheres nem dos homens.. A culpa é da ideologia capitalista que é machista.. que é homofobica.. racista.. que explora e oprime a quem quer que seja.. Saudo ao dia da mulher.. Luta Mulher!!!

  27. Mas eu acho que ela não tem culpa por ter nascido em uma família de artista e depois ter se tornado uma (pois parece que artista não é humano, é de plástico como disseram aí em cima), e os culpados são a mídia e o público que fica enlouquecido com aquele modelo, como se fossem super pessoas, ahhh por favor, meu pai sempre me falava, na barriga de artista tem bosta igual a nossa mesmo. Então a mocinha cresceu sendo moldada, e proibida, acredito que na vida pessoal também. Ela não foi tão livre assim, mas quem não teve maturidade para discutir sobre assuntos polêmicos, já com idade suficiente para tal, foi ela mesma, ela não quis discutir, ela se sentia segura em sua moldura, mas não era ela mesma, ela não se sentia bem, pois se estivesse bem não teria feito análise??? se ela fosse tão segura de si não precisaria visitar um psicólogo.
    Acho que ela foi uma vítima enquanto incapaz para tomar decisões, e depois que pôde, estava tão confortável que deixouuu se levar. Por que ela não protestou????????????????????????????

  28. Boa, Tica.

    É inegável que a imagem da Sandy é explorada por uma lógica machista, vinculada aos interesses da sociedade de consumo. Sendo “pura” ou “puta”, ela é associada à lógica masculina de dominação. E a utilização dessa lógica para a venda de cervejas é deplorável – mas nada surpreendente, ao meu ver. Capitalismo selvagem é isso.

    Escrevi algo sobre o tema também em meu blog, citando a sua postagem. Se puder dar uma lida, ficarei honrado: http://nossoadmiravelmundonovo.blogspot.com/2011/03/devassidao-da-sandy-e-as-exigencias-da.html

    Um abraço e parabéns pela luta!

  29. Li com grande satisfação o post da Tica Moreno. Li com outra satisfação (e em alguns casos imensa lamentação) os comentários que surgiram. Devo “agradecer” – não, não é possível – a galera do mkt da tal cerveja, por finalmente fazer as pessoas refletirem acerca de imagem construída e no quanto são, de fato responsáveis. Isso já acontecia antes, mas penso que com menor frequência e repercursão.
    Não esqueçamos que socialmente somos impelidos a representar um papel, como em um teatro. Sandy representa o papel que esperamos que ela represente – e que todos aqui sabem qual é de cor – e qualquer movimento que ultrapasse essa construção, choca. E choca porque não é o que esperamos. É o ator que foge do roteiro já habilmente escrito.
    São as moças na década de 60 dos EUA que escreviam cartas com erros gramaticais forçados para seus namorados, futuros maridos, para que pensassem nelas como “burrinhas e inocentes”. Ao menor sinal de que não eram assim…
    Então a culpa não é dela? Porque, afinal, tadinha…foi manipulada e levada “a força” por esses 28 anos a fazer o que queriam que ela fizesse e agora, mais uma vez, a obrigaram ferozmente…
    Não.
    É óbvio que não. E aos que pensam assim, sinto muito, machismo maior está em pensar que ela não é em nada dona de suas atitudes e vida. Talvez influenciada por uma propaganda que visa atender ao que o público espera? Talvez, mas jamais inocentemente-levada-deixem-ela-em-paz-pelo-amor-de-deus.
    Atender ao padrão “santa” como atender ao “rebolo-de-shorts-curto-sou-tesão” são duas construções nascidas em um mesmo lugar, daí o acerto da Tica. Atendem ao que o machismo – que não é uma entidade, são PESSOAS – quer. É o homem que casa com a moça vista como “santa” e a traí com outra, deseja outra, canta outra vista como “puta”. Para ele esse antagonismo está perfeito.
    A crítica desse blog, pessoas, está voltada para o nosso auto-questionamento (mulheres e homens, pensemos).
    O que é ser mulher?
    Eu preciso, até que ponto, ser o que me disseram que era “ser mulher”?
    O que é ser “de família” (amiga do comentário acima, é a nuclear, heterossexual, hierarquizada e patriarcal, é?)
    Por que as propagandas de cerveja precisam de mulheres rebolando e simulando sexo oral?
    Ah…é sexy.
    Ok. Você, homem, que acha extremamente sexy todas essa propagandas e insinuações…ou gostou porque ela ficou com cara de “safada”, fique atento. Alguém lhe ensinou que isso era sexy. E você apenas obedece concordando com um mero cordeirinho – desculpe se isso não atende o seu lado viril.
    E para a Sandy, atenção, o “mulherão” não fará de você menos mistificada pelo público. Tampouco assim você perde a imagem menina-que-não-deixam-crescer. Sabe o que faria? Um posicionamento mais inteligente. Uma capacidade de pensamento e de crítica ao que você, também, escolheu como imagem. Tanto antes como agora.
    No final, eu adoraria ver você mesma questionando aquilo que escolheu para você, especialmente agora.

  30. Vislumbras a situação apenas do prisma pessoal (no caso da Sandy, a imagem dela) é no mínimo simplista e jocoso. Aceitar fazer uma propaganda de divulgação e marketing nãos e trata apenas de DINHEIRO. eis que a marca (DEVASSA) buscava um grande “boom” para competir com Zeca pagodinho, Juliana Paes, Ivete Sangalo, Débora Seco. por outro lado o esteriopo de gostosona, de devassa, de sexy, de sei lá mais o que comum em propagandas de cerveja, poderia se rum tiro no pé e não chamar tanta atenção mais. Assim pq não ousar e colcoar algo totalmente diferente da proposta das propagandas que circulam por ai? Pelo ponto de vista da cantora, a propaganda veio colaborar para um período de marasmo, no qual a carreira solo não decolou como esperava, o Cd não “bombou” como esperávamos. Tanto tititi colaboraria para divulgar o trabalho (solo).

    enfim, pelo visto o objetivo de ambas as partes foi atingido, pq Sandy e Devassa estão na boca do povo. parabéns ao marketeiro da marca.

  31. Adorei o Texto!

    Pode não ter unanimidade, mas tem DEBATE.

    Ser contra, ser a favor pouco importa.

    Importa refletir sobre as posições “quase naturais” que as mulheres têm se posto no mundo.

    E debater sobre até que ponto sou dona das minhas escolhas, dos meus desejos, de mim mesma…

    Que bom que a Sandy e a Devassa foram debatidas pela escritora.

    Muita gente refletiu sobre isso.

    Parabéns

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