Antes de viajar, eu peguei várias dicas de amigas, amigos, amigos de amigas, essas coisas. Mesmo que as pessoas tenham gostos diferentes, sempre ajuda ler tudo, anotar o que te parece bem massa, o que é esquisito, os endereços, dicas, enfim.

Já conhecia os pontos turísticos, então fui atrás de umas coisas que o guia da folha não te indica. Alternativas, de esquerda.

Então, o que eu lembro e que pode servir de dica ou sugestão pra alguém em Paris:

Pra sair a noite:

não adianta achar que está em São Paulo e sair numa segunda-feira meia noite tentando achar algum lugar que tem balada a noite toda. Esses lugares até existem, mas como você é turista, não sabe exatamente onde.

Em quase todos os bares tem as programações, e tem o Lylo, uma revistinha gratuita com uma programação de música ao vivo e festas, organizado a partir do tipo de música, informa o preço, o horário, é um sucesso. Mas vale checar antes na internet.

Em Paris você encontra música de várias partes do mundo. Muita música africana bem boa. Muito jazz. E se você quiser tem samba também, bastante. Mas se você é do Brasil, sugiro que você escute música brasileira no Brasil e aproveite Paris pra conhecer coisas novas. Se você gosta de ouvir música no rádio, a rádio massa é a FIP.

Vários arrondissements são legais pra sair. Gostei bastante das coisas do 20eme, 18eme e de Saint Michel.

O Studio de l’Ermitage é bem legal, musica ao vivo, dá pra dançar. Fui num dia que teve um jazz etíope massa. Também gostei da Fleche d’Or, uma balada que é numa antiga estação de trem e tem programação de shows legais. Foi lá o Rock au Feminin. A Marroquinerie é outra que você encontra bons shows durante a semana também.

A Caveau des Oubliettes foi um dos meus lugares preferidos. É um bar e lá embaixo tem música ao vivo sempre, das 22h as 2h. Vi uns músicos ótimos lá. Pra sentar, é bom chegar cedo, senão você fica num outro ambiente, escuta a música mas o show passa numa TV.

Tem as festas nas peniches, os barcos. No Lylo normalmente tem a programação do Batofar, que é bem variado, reagge, rock, etc. Pra ir lá é bom saber pegar o ônibus noturno.

Lá em Les Halles tem uns clubes de jazz, tipo o sunsite, sunside, duc des lombards. Parece que a programação é sempre de qualidade, e sempre carinha, tipo uns 20 euros. E o povo lá compra ou reserva ingresso antes, então você corre o risco de chegar e ficar na lista de espera.

Se você gosta de discoteca com o que chamam de world music mas na verdade é 90% de música dos EUA, lá tem também. Bastante, mas eu não sou a melhor pessoa pra sugerir uma dessas.

Se você tem com quem sair: tem um bar bem legal que eu esqueci o nome, mas é na 9 Rue au Marie, perto do metrô arts et metiers. De vez em quando tem música ao vivo lá. É um bar que eu frequentaria bastante se morasse em Paris. Enquanto você tá lá tomando cerveja eles vão trazendo uns pratinhos de batata na faixa. A cerveja não é cara. Lá tem que tomar uma que chama Picon, que é bem tradicional, que é uma cerveja com um tipo de xarope de laranja. Eu também achei esquisito quando me explicaram, mas é boa, viu? No 18eme tem o rendez-vous de les amis. Barzinho massa também.

Tudo tem a ver com o horário, no happy hour a cerveja é mais barata =)

Domingo, as 20h, tem Jam Session lá na Mirroirterrie, um Squat. Parece que tem isso em vários squats, precisa checar na internet.

Tem também várias jam sessions bem mais informais, tipo em centros culturais, como o saraaba, um centro cultural africano.

E descobrimos um bar sem querer lá na Charrone, de Argelinos que todos os sábados a noite tocam música e fazem um couscous bonzão, até tarde da noite. É bem mais informal, não tá no Lylo nem na internet. As pessoas do bar são super legais, abertas, foi uma ótima descoberta.

E os cartazes no metrô e na rua são bons pra saber o que vai rolar enquanto você estiver lá.

Pra comer:

Tem que comer o couscous, o boeuf bourguignon, crepe com cidra, tartine, croque monsier, coisas com queijo de cabra, roquefort e outros queijos, muitos queijos… E kebab também, e fondue (com vinho branco). E profiteroles, macarron, religieuse. E tarte tatin.

Não vá pra Paris se você estiver de regime!

Em beleville tem muita comida asiática, tipo vietnamita.

Atenção: eles comem muitos “interiores”, tripa. Essas coisas. Se você não curte, pergunta antes pra não ter uma surpresa desagradável. Eu tive uma dessas, pedi andouillete. Só consegui comer as batatas do prato.

E tem que ir no Chez Gladines, um restaurante basco barato que bomba. Se você é turista com pouco tempo, não vá no fim de semana porque você vai esperar um tempão. O bom lá é o pato (canard). Mas, tem tripa também se você quiser. Fica em Place d’Italie, 30 rue des cinq diamants. Na mesma rua, um pouco pra frente, tem uma associação dos amigos da Comuna de Paris, com alguns documentos, livros e cartazes da época. Parece que o Chez Gladines era um dos centros da comuna de Paris. Aliás, a pracinha na frente da Sacre Coer chama Louise Michel, uma das principais dirigentes da comuna de paris, feminista porreta. Lá no museu D’Orsay tem uns livros legais sobre ela.

Tem um restaurante que acho que chama Chez Paul, na primeira quadra da Rue Charrone, na frente do hotel Baudelaire. É carinho, mas é bonzão. Bem francês mas o prato é super bem servido =)

Dizem que o quartier do crepe é em Montparnasse. Tem muita creperia lá. Tem diferença entre crepe de rua e crepe de creperia, viu? Não acha que depois de comer um crepe de nutella da rua (perdi a conta de quantos desse eu comi) você já sacou qual é a vibe do crepe. Pra acompanhar o crepe, tome cidra. Lá na saint andré des arts tem uma creperia super gostosa, chama saint germain.

Pra visitar:

fora a torre, sacre coeur, notre dame, louvre, etc etc etc que todos os guias podem descrever melhor que eu, aqui vai o que eu achei mais legal ou curioso.

Entre os museus, o meu preferido foi o Pompidou. Além de ter Chagall, Kandinsky, Fernand Leger, e a exposição Elles (das artistas mulheres da coleção permanente), tem uma vista massa lá do último andar.

Adorei ir nas catacumbas, um lugar cheio de ossos, caveiras, “o império da morte”. Teve uma época que os cemitérios tiveram que fechar por causa de algum problema de saúde pública, aí fizeram as catacumbas, pra ser um destino pros ossos. A parte aberta pra visitação é tipo 10% do espaço total. Muito mais legal que ir ver o tumulo do jim morrison no pere lachaise.

O espaço Dali, em Montmatre é legal, mas acho que os quadros mais famosos dele estão em Barcelona. Em Paris, tem muita escultura legal, muita ilustração, tipo de Alice do país das maravilhas.

No Pantheon tem o Pendulo de Foucault. Foi um negócio construído pra provar que a terra gira. E o Pantheon é um lugar de homenagem aos “grandes homens da França”, tipo o Voltaire tá lá. Eu contei quantas mulheres estão lá na cripta. Não foi dificil, não enchem os dedos de uma mão. São duas, e estão enterradas com os maridos. Ai, ai, ai.

A melhor vista da torre é a do trocadero, e lá tem crepe de nutella e goffre au chocolat. Uma delicia! De noitão é mais legal porque tem menos gente (no inverno, porque me disseram que no verão fica lotado).

Em Saint Michel, na Rue de la Huchette, tem um teatro onde uma peça tá em cartaz desde muuuuuuuito tempo, tipo os anos 50. Todos os dias, as 19h.

A mosquée é um lugar legal de ir também, é perto do instituto do mundo árabe (lá em cima tem uma vista legal da notre dame de costas). Perto, tem a Arene de Lutece. Não coma numa patisserie argelina que tem no caminho entre o instituto e a mosquée porque não é tão gostoso assim e a moça que atendeu a gente foi a pessoa mais grossa, estúpida e idiota que eu conheci nessa viagem. E lá na mosqué tem doces também.

Na mosqué é massa tomar o chá. E se você tiver tempo, fazer o hamman. Foi uma experiencia totalmente nova pra mim. A mosquée não abre pra visitação nas sextas.

É legal andar pelas ruazinhas no Les Marais, e comer o falafel no l’as du falafel, na rue des rosiers, 34.

É muito louco andar por 3 bairros que são um do lado do outro: La Chapelle, Barbés e Chateau Rouge (é o nome dos metros). São em ordem, os bairros indiano, árabe e africano… o louco é que vc anda 2 quadras, e parece que muda de continente…o cheiro, as pessoas, as musicas, os cartazes, as roupas, etc… (mas não é o tipo de programa pra levar camera pra tirar foto ) Foi essa a descrição que me deram sobre esses bairros, e é exatamente isso. Vale a pena.

Lá no Fórum de Les Halles tem um espaço de cinema, acho que chama forum, bem legal. Do lado tem uma midiateca de musica.

A cité de la musique é bem legal também. Peguei o fim de uma exposição sobre a ex-URSS e tem shows legais por lá.

No site http://www.demosphere.eu/ tem as coisas alternativas, mais de esquerda, dia de manifestação (dos sans papiers, das mulheres, dos tunisianos, etc etc etc), debates e programação dos squats.

Meninas:

a livraria Violette and Co tem várias coisas feministas e literatura de autoras mulheres.

A gals rock é uma loja de um grupo de mulheres que apoiam as mulheres na musica. Tem muito cd, uns livros e outras coisinhas. No site delas tem a programação de shows.

Anúncios

2 comentários sobre “Pra Ju. Ou, sobre Paris

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s