(Publicado no sexismo na política)

Os homens da política são bem espertos. Frente às demandas das mulheres pra ter espaço na política e no poder, eles tem algumas estrategias pra contemplar essa pauta, sem perder o controle.

Pra burlar cotas mínimas, por exemplo, tá cheio de exemplo por aí. Tambem tá cheio de casos onde os caras respeitam uma ou outra mulher que tá num cargo de direção, enquanto desqualificam as mulheres organizadas em torno das pautas feministas. E aí essa mulher vira o argumento pra dizer que as mulheres tem espaço, e depende de capacidade individual de cada uma ocupar o espaço, etc. E daí some do debate a noção de que faz parte da opressão das mulheres a nossa exclusão do mundo público e da política.

Parece que a gente resolve o problema do machismo botando uma mulher no poder.

Ter eleito uma mulher presidenta da república representa um avanço concreto e simbólico pra todas as mulheres. Significa que nós temos capacidade pra dirigir o país, e que mais de 55 milhões de brasileiros e brasileiras acreditam na nossa capacidade. Como a nossa presidenta diz, as meninas agora podem querer ser presidenta da republica, o que significa que podem querem mais ser presidentas do gremio da escola, do dce, do sindicato. É uma alternativa ao sonho de ser modelo magérrima que a barbie e o PIG impõem pra gente.

Pra nós, feministas, ter uma presidenta, é uma vitoria a mais em uma historia de luta, que ainda tem muito mais por conquistar. A eleição da Dilma é uma vitória das mulheres e do feminismo, porque precisou de muito feminismo pra gente ter direito a votar e ser votada. Milhões de mulheres, no Brasil e no mundo, lutaram e lutam pelo direito ao trabalho, a educação e ao voto como um caminho pra ter igualdade de fato, liberdade pra decidir sobre nossa vida, nosso corpo e nossa sexualidade, ter direito a uma vida sem violência, etc.

Tendo a noção dos desafios que a gente tem que enfrentar pra conquistar igualdade e liberdade pra todas as mulheres, a gente consegue se organizar pra enfrentar o machismo que vem pela frente, inclusive na composição do nosso próximo governo.

Se a Dilma levar a frente a idéia de ter pelo menos 10 ministras (o que equivale a um terço do ministério), vai ter muito homem descontente por aí. Vão fazer cara feia, desqualificar as possíveis ministras na base do machismo, como vimos na campanha da própria Dilma.

A gente aprendeu no ensino fundamental que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Nem na política.

A gente aprendeu na política, que pra uma mulher ocupar um espaço de poder, um homem tem que sair. Nesse caso, se tudo der certo, uns 10 homens não vão nem entrar.

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