Fui pro SWU sem ter a pretensão de encontrar lá algum caminho pra construção do outro mundo que é possível. Pra isso participo desde 2002 do Fórum Social Mundial. Fui lá pra ouvir música, e confesso que estava pulando os debates sobre o sentido do swu, que claramente se inseria na onda do ambientalismo de mercado, marketing verde, ecocapitalismo – o nome que a gente dá importa menos do que o conteúdo que essas propostas carregam: manutenção desse modelo de produção e consumo que é o grande responsável pelo aquecimento global, destruição ambiental, etc.

Mesmo sem ter nenhuma expectativa nessa parte ambiental do swu, fiquei chocada com o alcance da hipocrisia humana. Nestle e Coca-cola como grandes patrocinadoras do festival. Um festival que pretendia ser o festival da sustentabilidade, mas que não aprendeu nem o básico dos acampamentos da juventude do FSM. Não tinha nem canequinha: a cada cerveja que você comprava, você recebia um copo plástico bem bonito que ia bem pro lixo (passando primeiro pelo chão, na maioria das vezes).

A suiça Nestlé e a estadunidense Coca-Cola estão entre as principais empresas que dominam o mercado da água no mundo. E é nesse mesmo mundo que o acesso à água potável não é garantido pra muita gente, que cresce o consumo de água engarrafada que as empresas controlam cada vez mais os processos da vida e a natureza. Tudo virou mercadoria pra garantir o lucro de alguns: mercantilizaram a água, a biodiversidade, nossos territórios, nossos corpos, nossa cultura.

Só que a gente resiste. Com os instrumentos que a gente tem.

Acho muito lindo o exemplo das mulheres na Índia, que expulsaram a Coca-cola em defesa da água. A Vandana Shiva contou essa história aqui

Foi emocionante ouvir  Don’t drink the water, no show da Dave Matthews Band, uma música que expressa exatamente o que fazem as patrocinadoras do SWU nos nossos territórios.

E achei muito foda a postura do Teatro Mágico, como sempre mostrando de que lado estão. No meio do show, em cima do palco e no meio da galera, deram o recado: não se pode falar em sustentabilidade sem falar em reforma agrária e agricultura familiar. Com a camiseta do MST. Não foi a primeira vez que vimos e ouvimos esse compromisso do TM, e certamente não será a última. Também não foi a primeira vez que a mídia optou por fingir que isso não aconteceu. E não será a última.

Fazer e falar o pensa, envolvendo quem tá escutando, pra pensar e fazer junto. Colaborativo e independente. Assim funciona.

 

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