Acabei de ter o desprazer de ouvir o último programa de rádio da campanha do Aloisio Nunes.

Além de reafirmar que este é um candidato muito mal acompanhado, com declarações de apoio de Quércia, do Kassab, Alckmin e Serra, trechos do programa foram “sutilmente” machistas.

As pesquisas mostram que entre as candidaturas ao senado por São Paulo, Marta Suplicy é a que tem mais intenções de voto.  Uma mulher, que será a primeira eleita ao senado por São Paulo, no mesmo ano em que vamos eleger a primeira mulher presidenta do país: Dilma.

Mas o programa do A. Nunes afirmou diversas vezes que São Paulo precisa de um homem para o senado. E eu não sei como são feitos os roteiros pros narradores, mas só de ouvir a entonação, me veio a imagem de um texto em que a palavra homem vinha em letras garrafais. Falam que “o senado precisa de um HOMEM forte, de um HOMEM com capacidade administrativa“…

Queridões, o senado está cheio de HOMENS desse tipo aí, cheios de “capacidadade administrativa” e com visões políticas reacionárias e conservadoras.

Aloísio Nunes: você vai perder para uma MULHER, que tem muito mais capacidade administrativa que você e que faz parte de um projeto político bem distinto do seu. Uma MULHER que é parte de uma trajetória de luta de milhares de MULHERES que assumiram e assumem na política o lado da luta por igualdade e justiça social. Essa MULHER é parte de uma trajetória de luta FEMINISTA, junto com milhares de MULHERES em luta que foram  responsáveis pela eleição do governo Lula, que implementou a mais abrangente política de combate à violência contra as mulheres: O pacto nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres. Pacto este que o governo do PSDB em São Paulo, com Serra como governador e Aloisio Nunes como secretário chefe da Casa Civil, só assinou muitos meses depois deste ter sido proposto: só depois de muitas audiências, reuniões, manifestações, ou seja, pressão do movimento de mulheres e gestoras comprometidas com o combate à violência sexista. Assinaram. E não fizeram mais nada: o governo do PSDB em São Paulo não moveu uma palha nem investiu recursos em ações de combate a violência sexista.

E, voltando ao programa de rádio, vem a declaração do Alckmin, que diz que vai precisar da “voz forte deste homem no senado“. Vamos lá: elemento básico sobre as relações de gênero —> as relações sociais entre homem e mulheres são desiguais. Existe uma construção histórica e social de um ser homem baseado na força, virilidade, razão; e de um ser mulher baseado na fragilidade, sensibilidade, emoção, submissão. Essa construção que tem a ver com a destinação das mulheres ao mundo privado, onde fazem todo o trabalho doméstico e de cuidados que garante que os homens atuem no mundo público com sua “voz forte”. Com suas políticas e declarações, a turma do PSDB/Alckmin/Serra demonstra que não aprendeu nada sobre isso.

Desde a revolução francesa, passando por importantes processos políticos em todo o mundo, como a revolução russa, nós mulheres estamos questionando esse lugar que nos é imposto, e queremos políticas que transformem essa realidade de desigualdade e opressão, e construam um mundo de igualdade entre homens e mulheres.

Nessas eleições, vamos afirmar esta luta mais uma vez, e teremos vitórias:

Vamos eleger Marta Suplicy Senadora por São Paulo – primeira mulher eleita para este cargo por São Paulo.

Vamos eleger Dilma Roussef Presidenta do Brasil – primeira mulher a ocupar esse posto.

E, para deputada federal por São Paulo, vamos reeleger uma mulher, negra, feminista e anti-racista: Janete Pietá.

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