Em tempo de feminismo é um grupo de estudos da SOF que existe desde 2008. Estudamos principalmente a história do feminismo. Já traduzimos um livro sobre a história do 8 de março, que a SOF publicou em março 2010, marcando o centenário desta data que é central pro movimento de mulheres em todo o mundo.

Neste semestre vamos estudar a segunda onda do feminismo e eu tô amarradona.

O primeiro texto é “El feminismo liberal estadounidense de pos-guerra: Betty Friedan y la refundación del feminismo liberal” de Ángeles J. Perona, extraído do volume 2 do Teoría feminista: de la Ilustración a la globalización

A Betty Friedan escreveu “Mística Feminina” em 1963, e foi um dos, ou o, principal livro do feminismo liberal nos EUA. Na edição que eu tenho, da Vozes, publicada em 1971, tá escrito na capa: “O livro que inspirou a revolta das mulheres americanas”. Achei massa.

O contexto em que ela escreveu este livro é o pós-guerra nos Estados Unidos. As mulheres durante a guerra tinham entrado com mais peso no mercado de trabalho em funções antes desempenhadas pelos homens. Quando a guerra acabou, os homens retornaram e houve uma ofensiva ideológica muito forte que colocava o lugar principal das mulheres como donas de casa, esposas e mães, o alicerce da família feliz…

É isso que Betty Friedan discute em “Mística feminina”, chamando de mística feminina um modelo de ser mulher baseado na passividade sexual, na vida em função do homem, no amor de mãe. Esse estereótipo do ser mulher (dona de casa, esposa e mãe) é construído culturalmente, imposto e introjetado à maioria das mulheres. E aí ela constata a partir das suas pesquisas que existe um “problema sem nome”, apontado por mulheres reais que fazem de tudo para alcançar esse ideal.

O problema permaneceu mergulhado, intacto, durante vários anos, na mente da mulher americana. Era uma insatisfação, uma estranha agitação, um anseio de que ela começou a padecer em meados do século XX, nos Estados Unidos. Cada dona de casa lutava sozinha com ele, enquanto arrumava camas, fazia as compras, escolhia tecido para forrar o sofá, comia com os filhos sanduíches de creme de amendoim, levava os garotos para as reuniões de lobinhos e fadinhas e deitava-se ao lado do marido, à noite, temendo fazer a si mesma a silenciosa pergunta: “É só isto?”

Fonte: FRIEDAN, Betty. Mística Feminina. Petrópolis: Vozes, 1971. p. 17

E aí ela faz uma crítica muito forte a essa identidade feminina, demarcando bastante com as visões essencialistas. Reivindica que as mulheres são seres racionais, que são distintas entre si, que a identidade das mulheres não é definida apenas por suas funções biológicas, mas principalmente pela cultura, etc. Afirma que a mística feminina é um problema comum a todas as mulheres, não só de uma ou outra classe social ou raça.

O feminismo liberal afirma que  a subordinação das mulheres tem raízes em restrições legais que impedem a entrada das mulheres no mundo público.É um feminismo bem moderado e reformista, e a própria Betty Friedan identificou depois as limitações de reivindicações formais para a conquista da igualdade real.

No começo dos 80, ela escreveu “A segunda fase”, que trata principalmente da dupla jornada. Ela diz que o direito ao trabalho não significou nem igualdade no público, nem no privado. Aí identifica um problema: as mulheres não querem renunciar ao que conquistaram no mundo público, nem renunciar à família.

E daí passa a fazer o debate sobre a necessidade de intervenção do Estado em algumas áreas para ajudar a resolver esse dilema, e é muito otimista ao dizer que os homens estavam demonstrando mais interesse e satisfação na vida privada, o que poderia significar uma tendência à maior participação dos homens nas tarefas domésticas. Pena que era só otimismo dela, né?

No texto que eu li, da Ángeles Perona, são apresentadas várias críticas ao pensamento da Betty Friedan e ao feminismo liberal. Concordei com todas mas não vou falar sobre elas aqui, talvez depois senão isso vai ficar grande demais e eu preciso primeiro entender melhor o que foi o feminismo liberal nos Estados Unidos pra depois criticar em público. (Ou é só preguiça mesmo)

E eu só queria mesmo colocar aqui um videozinho que achei no youtube sobre esse período aí que a Betty Friedan escreveu, e a influencia que ela teve no feminismo estadunidense. Pena que tá em ingles =(

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Um comentário sobre “Em tempo de feminismo – Betty Friedan e o feminismo liberal dos EUA

  1. Esta obra deveria, sem dúvidas, ser reeditada…
    As edições que ainda hoje existem estão demasiado senis.

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